Na minha outra vida fui dançarino. Pratiquei Dança de Salão de competição durante cerca de 15 anos. No meio dos cha-cha-chas , rumbas e valsas houve sempre uma predilecção por outro ritmo, mais quente e agressivo, íntimo e intenso, o Tango. Bastardizado na Europa, adaptado à formalidade dos salões de baile dos púdicos europeus, nasceu na América do Sul, com raízes divididas entre a Argentina e o Uruguai. Foi, no entanto, no país de Perón e Maradona que se tornou bandeira. Graças a alguns instrumentos musicais levados pelos emigrantes, desde cedo associado às classes mais pobres, o tango clandestino dos bordéis de Buenos Aires foi crescendo em complexidade e popularidade, atraiu compositores que se tornaram celebridades e que ajudaram a difundir a sonoridade do bandoneón por todo o Mundo. Foi curioso, agora como cozinheiro, ter a oportunidade de visitar a Argentina e aperceber-me dos paralelos que se conseguem estabelecer entre a música e a cena gastronómica ...
Textos, artigos, crónicas e rascunhos dados ao manifesto